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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen
(Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)

O mar dos meus olhos
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Poesia


                  Voto pela reconciliação


Por decreto
Despertei mais cedo
A madrugada equivocada
Desenvencilhou-se da lua
E o sol contou-me em segredo
Que a noite estava divorciada
Mais uma vez do último verão
Por decreto
Almocei mais tarde
Como não há fome que aguarde
Ludibriei-a com um naco de pão
Uma tarde longa de preguiça
E mais um pedaço de chouriça
Até à noctívaga refeição
Por decreto
 A tarde ficou mais escura
Pelo sol que foi embora
Regressando a lua para cear
Mas louco à 25º hora
Fiquei-me pelo jantar
Agora
Tenho o sono mais cedo
E a lua diz-me em segredo
Que haverá uma reconciliação
Quando o março ao definhar
A hora voltará a reconciliar
A noite com o próximo verão.                            
 Gilo   
 28 de outubro 2018

domingo, 6 de maio de 2018

Dia da Mãe

Para Sempre

Por que Deus permite.
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga.
quando sopra o vento.
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro, 

puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa.
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra.
— mistério profundo —.
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre.
junto de seu filho.
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ciclo de Reflexão sobre Direitos Humanos - dia 2

Iniciámos o 2º dia do Ciclo de Reflexão sobre Direitos Humanos com a presença do Dr. Filipe Lopes, coordenador do projeto "A poesia não tem grades" um modelo de inclusão social que utiliza a leitura, a escrita e a experimentação artística como instrumentos de trabalho privilegiados.
Iniciado em 2003, o projeto realiza-se em parceria com a Direcção-Geral da Reinserção e dos Serviços Prisionais, sendo o seu desenvolvimento e implementação da responsabilidade da Associação de Ideias, uma organização sem fins lucrativos direcionada para a promoção dos valores da cidadania.
Foi uma sessão de excelência, pela qualidade do nosso convidado que soube cativar todo o público presente. Foram lidos diversos textos poéticos e partilhadas várias histórias do dia-a-dia deste projeto que nos sensibilizaram a todos.
Muito obrigada ao Dr. Filipe Lopes pela sua fantástica partilha. Esperamos vê-lo mais vezes na nossa escola.
Na parte da tarde tivemos connosco o dirigente José Falcão da organização SOS Racismo que alertou os nossos jovens para vários conceitos relacionados com os direitos humanos e apelou a que nenhum de nós seja indiferente face às injustiças e à discriminação.

Muito obrigada aos nossos convidados, aos docentes e aos alunos e alunas que estiveram presentes nas sessões.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Fernando Pessoa

Faz hoje 82 anos que faleceu Fernando Pessoa!
Fernando Pessoa por Júlio Pomar
Escritor universal e impossível de catalogar ou definir, até pela multiplicidade de heterónimos, Fernando Pessoa legou-nos das mais relevantes obras de literatura, sem que se possa esquecer a importância da Língua Inglesa nessa produção: Harold Bloom, crítico literário, considerou Pessoa como “Whitman renascido” e incluiu-o entre os melhores 26 escritores da civilização ocidental. Robert Hass, poeta americano, diz dele : “outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot, inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente… Pessoa inventava poetas inteiros.” 
Através dos heterónimos, que compõem uma lista extensa, Fernando Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Uma obra que coube numa vida, mas que passa largamente o que, factualmente, essa vida poderá ter contido.
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15; publicado em Atena nº 5 de Fevereiro de 1925.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Campo de Concentração

Auschwitz-Birkenau
Campo de concentração

Teus olhos, aves que poisas
sobre as amarguras do mundo,
e que bebem até ao fundo das coisas
como se as coisas não tivessem fundo;
teus olhos, de asas bem abertas,
povoaram de voos o claustro do meu rosto,
e interrogaram as sombras, as sombras sempre despertas
deste sono pressuposto

Vai-te. Não interrogues nada que eu não sei dizer-te nada.
Isto, e isso, e aquilo, não é isso, não é aquilo nem isto.
Não é nada.
Ou talvez não seja nada.
Ou talvez só seja isto:
um pavor de madrugada,
um mal que se chama existo.


António Gedeão

segunda-feira, 25 de abril de 2016

domingo, 3 de maio de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Poesia de abril

Uma recolha de poesia alusiva à Revolução de abril com ilustrações de vários artistas plásticos portugueses.
Fonte: Centro de Documentação 25 de abril
Encontra-se em exposição no átrio da biblioteca!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

"O nosso poema"

Um bonito poema do nosso "Gilo"  ilustrado pela Gabriela Figueiredo do 11ºD a assinalar o Dia dos Namorados que hoje se comemora!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Mãe



MÃE

Quando Deus criou a Esperança,
O Amor e a Luz com seu brilho,
Fez com o Mundo uma aliança
E deu à Mãe o Seu filho.

Mãe é palavra singela,
Mas encerra tal grandeza,
Que o coração pulsa ao lê-la
No primor da Natureza.

Choveu a Graça Divina
Sobre a dor que a vida tem:
Fez-se Amor, fez-se menina,
Fez-se mulher, fez-se Mãe.

A sua face é doçura...
O seu olhar é beleza...
O seu coração ternura...
Ela é a Mãe, com certeza!...

Há um sol que brilha e aquece,
Noite e dia, as horas tristes:
A Mãe erguendo uma prece
Nas horas em que desistes!

Por muito que a gente mude
E busque amor a seu jeito,
Um só salva e nunca ilude:
O de Mãe --- Amor-Perfeito!

Elisabete Aguiar


quinta-feira, 2 de maio de 2013


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Recordando abril...

Assinalando a Revolução de abril, a biblioteca dinamizou na 4ª feira um pequeno espetáculo de partilha de música e poesia com a colaboração de alunos e docentes.
Obrigada a todos!

quinta-feira, 14 de março de 2013

Poesia Visual

A Biblioteca lançou o desafio aos professores das Artes e os alunos do 11ºD e 12º D responderam com estes belíssimos trabalhos, que se encontram expostos no átrio da biblioteca!  Muito obrigada!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Se saltas, eu salto…

Um poema lindíssimo escrito pela professora Paula Loureiro, docente do agrupamento a exercer funções na ACO.

Parabéns!


Se saltas, eu salto…

Que fazes tu à beirinha deste rochedo?
Que choro é esse, porque estás aqui assim?!
Volta pra trás, isso é loucura, tens que ter medo!
Eu dou-te a mão, agarra-a bem, olha para mim…

Vais desistir de ti, de mim, da tua vida?
Do bom, do mau, do prémio e do castigo?
Eu estou aqui, mesmo ao teu lado, sempre aqui estive…
Mas, se tu saltas eu vou também, salto contigo!

Morrer de amor, de mágoa ou de solidão,
Morrer de raiva, de saudade ou de exaustão…
Será coragem, se tu saltares, ou cobardia?!
Também eu dei, a Deus, a mesma explicação…

Sou o teu anjo e vim do céu para te salvar
Na última esperança de no teu peito eu poder viver.
Serei um fantasma amaldiçoado por essas falésias,
Ensombrando amantes que tenham aquilo que não pude ter.

(…)
Crê no destino que nos juntou há já tanto tempo,
Baralha as cartas, joga de novo, com o coração!
Deixa que a luz do dia te aqueça, no seu abraço
Esquece a amargura, o frio da noite e a escuridão.
(…)
Se cantas eu canto, se dormes eu sonho, se acordas desperto.
Se choras eu choro, se morres eu morro, não há solução.
A morte é o fim. Posso garantir. Nada mais existe.
Imploro-te: fica. Se viveres eu vivo… no teu coração.

Paula Loureiro
Jan 2013

segunda-feira, 19 de março de 2012

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Fenda - Poema de Leonor Carvalhão

A Fenda


Espreitei de novo pela fenda.
Gente cansada
Depois de uma longa viagem.
A cidade estava sobrelotada,
Há já alguns dias.
Notei pela minha estalagem.
O frio gelava-me não só os dedos,
Mas também os pés
E, aos poucos, o coração.

Voltei a recolher-me para o fogo,
Arder os medos,
Evitar a confusão.
Dois lutavam por um naco seco,
As mulheres envolviam os pequenos
Que pediam consolo sem razão.
O lume crescia,
E brandia cheio de vida.

Já eram horas altas,
Escasseava a comida
E ainda nem se avistava a merenda.
Bateram de novo na porta,
De novo espreitei pela fenda.
E o desespero, que me gritava num sussurro
Que não cabia mais alma alguma!
Mas espreitei,
Um homem, e uma linda senhora
Montando um burro
Trazendo mais coisa alguma.
“Está lotado, procure outro lado.”
Mas suplicava, por favor,
Fazia frio, e a senhora grávida.
“Não queremos cama, apenas um lugar,
Uma dádiva seja lá onde for.”
Olhei a senhora, e então,
Descongelou-se-me o coração.
O seu véu esvoaçava
E me levava o desespero e o medo.
Estiquei o dedo, em frente,
E indiquei-lhes o caminho.
Não era muito grande, o estábulo,
Mas serviria perfeitamente…
Fechei a porta, de mansinho.

Estávamos ao redor do lume
Quando um grito cortou o ar,
Os sinos começaram a soar,
As mulheres ajoelhavam-se,
Os homens tiravam o chapéu.
Espreitei pela fenda,
E ao fundo, por cima do estábulo,
Nascia uma enorme estrela no céu.

Leonor Carvalhão (ex-aluna)
Natal 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ainda a propósito do Natal...

O Meu Natal

Era um natal
Que se aquecia:
Na lareira e no terreiro;
No presépio verdadeiro
Com musgo, rio e estrela de prata;
No presente pequeno
Para o tamanho do sapato,
Deixado no recato,
Do borralho da esperança;
Na noite que não adormecia
Madrugada na missa do galo,
E desperta da criança;
Eu era a que mais corria
Muito mais que o próprio dia
Apressando a alvorada
Com surpresa tamanha
Que não queria mais nada
Apenas o bacalhau com todos
Com o sabor que meu pai pedia
Da roupa velha que a minha mãe fazia.


Gilo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dia Mundial para a Prevenção do Abuso das Crianças

Mais de 20 000 crianças morrem por ano nos países da OCDE...
3500 são vítimas de maus-tratos (dados do relatório "Innocenti" da UNICEF)...

Segundo o Relatório de Actividades das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, em 2009, existiam 66896 processos activos, dos quais 28401 foram instaurados só nesse ano. A maioria dos processos estão relacionados com crianças vítimas de negligência, exposição a modelos de comportamentos desviantes e maus-tratos psicológicos.

Fonte: AMCV - Associação de Mulheres Contra a Violência

É urgente proteger aqueles, que por serem mais frágeis, não o conseguem fazer sozinhos!

Fica um poema de Gilo, feito a propósito desta fotografia publicada no Jornal Público:


Cólera(….Ira….)

É um corpo desnudado

Putrefacto de miséria

Empestado de doença

Sob o sorriso fotografado

Nas costas da indiferença

Aí ! sou derrubado

Pelo silêncio daquele olhar

Então choro na escrita

A lágrima para o levantar.

Gilo