A propósito do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, entenda para que serve e como funciona a licença "Creative Commons"!
domingo, 23 de abril de 2017
"Da felicidade que vem nos livros"
Sugestão
de leitura
Da felicidade que vem nos livros
Há livros que resumem vidas inteiras. E há livros que nos
devolvem fragmentos da nossa própria vida – pedaços que já tínhamos perdido sem
esperança de os reencontrar – mesmo aqueles que já tínhamos esquecido.
De cada vez que penso “nisso”,
penso também nos lugares onde fui feliz com os livros e, de entre esses dois
lugares, elejo dois: o Douro, no Verão quente à beira do rio; e numa das mais
belas bibliotecas que visitei na infância: uma carrinha Citroen da Fundação
Calouste Gulbenkian que, às quartas-feiras, religiosamente, estacionava no
largo principal da aldeia onde eu passava férias (no Douro, o centro do meu
mundo de então) e se enchia de gente que procurava uma água invisível para
matar aquela sede feita de Verão, calor, preguiça, e imaginação.
Digo “imaginação” de propósito,
porque não é possível falar de livros e de bibliotecas sem essa palavra, ou sem
a palavra “sonhos”. Os livros são como os próprios sonhos: se se recordam é
porque são realmente importantes. E se são realmente importantes é porque, de
alguma forma, transformaram a nossa vida, ou perturbaram-na, ou tocaram-na em
algum lugar.
Pouco há a escrever sobre uma
biblioteca onde estão todas as palavras que poderíamos utilizar para a
descrever e para a comentar – alinhadas em temas, em corredores onde o silêncio
ou a penumbra, a luz ou o rumor do divertimento habitam como se fosse a sua
casa. A biblioteca não é, por isso, apenas a casa do livro. Todas as imagens do
mundo, do sonho, do riso, do medo, da dor, estão ali, abrigadas e aguardando a
oportunidade de visitar quem as visita, folheando um livro, ignorando uma
página em detrimento de outra, fechando um capítulo da consulta aos livros, que
é como quem diz, da consulta ao mundo.
Dir-se-á que, provavelmente, o
livro não traz a felicidade. Mas, também provavelmente, a imagem de felicidade
que fomos construindo vem nos livros – e há-de ter um livro por perto. Um livro
por onde copiar seja o que for.
Já se disse que a felicidade é
um produto da nossa imaginação e da nossa cultura. Mas é nos livros que mais se
fala dela – como um estado de espírito, uma ausência e um enigma. E dado que é
na biblioteca que os livros se encontram (e em nossa casa, claro, e em qualquer
lado, em qualquer lugar onde quisermos que eles estejam), é talvez aí que
melhor se reconhece a perfeição e a imperfeição do mundo – a ideia ou o
esquecimento da felicidade.
NEM SEMPRE É FÁCIL PENSAR UMA
BIBLIOTECA: o que ela deve ter, o que ela deve oferecer, o que ela deve
esquecer. É este, penso eu, um dos objetivos da biblioteca: fazer esquecer
alguma coisa (o lembrar alguma coisa é objetivo comum, não vale a pena falarmos
disso – deriva da ideia da biblioteca como grande reservatório do mundo),
fazer-nos passear entre as estantes, esquecendo que o mundo está lá fora e que
este mundo, o dos corredores repletos de livros, o das páginas revisitadas por
prazer ou por obrigação, ou só por curiosidade, é que é o mundo verdadeiro. A
vida eterna.
Falando sinceramente, a vida
que vem nos livros é que é a verdadeira; foi nos livros que, pela primeira vez,
ouvimos falar de amor; o primeiro gesto de renúncia, ou de medo, ou de alegria,
aprende-se num livro, num fragmento de aventura ou de uma história escutada de
dentro de um livro – esse instrumento afinadíssimo para escutarmos as grandes
vozes, as que sussurram e as que gritam, as que vêm de longe para lembrar a
distância que nos separa ou aproxima da felicidade, ou as que estão tão perto
que apenas um levíssimo rumor basta para se tornarem mais reais.
Poderíamos repetir Lawrence
Durrell (de Justine, do seu quarteto de Alexandria): podemos amar alguém, ou
sofrer por alguém – ou, em alternativa, fazer literatura, isto é, escutar as
vozes do mundo.
E, se falamos em felicidade,
falamos também de perdição – ou seja, do direito, impossível de negar a um
leitor, de se perder na magnífica contemplação de um título, de um parágrafo,
sempre ao acaso das circunstâncias que o levaram por este ou por aquele atalho.
É assim, também, que um geógrafo amador persegue a textura dos solos, o
contraste das paisagens, a contiguidade ou fragmentação do povoamento: seguindo
ao acaso pelo mapa, anotando isto ou aquilo na sua memória, voltando a ela
quando vem a propósito.
COMO NOS SONHOS, PORTANTO. Ou
seja: deixando que as coisas aconteçam por dentro, que é o sítio onde tudo de
importante acontece.
Provavelmente, dirão que esta
visão do pequeno universo das bibliotecas é demasiado benévola e, também,
«poética» em excesso. Mas não há outra forma de ver o assunto. A vida é
demasiado séria – demasiado fugaz também, para que a levemos muito a sério,
como seres cabisbaixos que recusam o enternecimento e o riso só porque se sabe (de
antemão, claro que sim) que a vida é pesada o suficiente para nos entristecer.
Não há outra forma de ver o assunto: as bibliotecas são ilhas, pequenos
continentes onde a fantasia ainda é possível e desejada.
O importante é que,
precisamente por isso tudo, as bibliotecas sejam focos de resistência. Eu
explico: hoje em dia, só se pode ser feliz através dos sonhos – são o espaço de
liberdade que nos resta, liberdade absoluta, possibilidade absoluta. Como os
sonhos passam para os livros, eu não sei nem posso explicar, senão pelo acaso
de aos livros ser possível recuperar aquilo que não se diz de outra forma. Com
um livro nas mãos somos livres bem lá por dentro. Deve ser impressão minha, mas
os livros acabam por ser a melhor escola de liberdade: em primeiro lugar,
ensinam-nos a propriedade coletiva (mas não coerciva) dos sonhos; ensinam-nos
que um sonho é partilhável e, por isso, o que vem num livro não diz respeito
apenas a um leitor; ensinam-nos que o que vem num livro (os sonhos, as
explicações, as interrogações, as perplexidades) já uniu outros sonhos a outros
sonhos, outras explicações a outras explicações, outras interrogações a outras
interrogações, outras perplexidades a outras perplexidades; ensinam-nos que a
verdadeira felicidade só existe porque vem descrita nos livros – e, se vem nos
livros, é porque os livros a copiaram de algum lado. É bom saber isso, que a
felicidade existe em algum lado. De contrário, não tínhamos razões para
procurar.
E quando se aproxima o Verão,
quando a Primavera chega e transporta consigo esse desejo enorme de preguiça,
sesta a meio da tarde, eu lembro-me do Douro e da meia centena de vezes que li
“A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós – e lembro-me dessa biblioteca
ingénua e inocente onde, às quartas-feiras pelo fim da tarde, a minha tia me
levava para escolher alguns livros que nunca chegavam para uma semana de
felicidade.
Francisco José Viegas
(Adaptado
do português do Brasil)
Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor
O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de
Autor celebra-se hoje, em todo o mundo, mas em Portugal a efeméride associa-se
ainda aos 150 anos da abolição da pena de morte, por proposta da Direção-Geral
do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).
Com um cartaz desenhado
pela autora Cristina Sampaio, no qual se vê um carrasco a rejeitar o ato da
morte para ler um livro, a DGLAB incita à leitura e à celebração do livro como
"um hino à vida" e, ao mesmo tempo, recorda que Portugal foi um dos
primeiros países a abolir a pena de morte, no século XIX.
O Dia Mundial do Livro
e dos Direitos de Autor é uma iniciativa internacional da UNESCO e celebrou-se
pela primeira vez em 1996, para promover o livro e leitura como ferramentas de
inclusão e de formação cívica.
Em todo o mundo, a
efeméride é assinalada com sessões de leitura, lançamentos editoriais e
atividades de aproximação do livro a leitores de todas as idades.
Por decisão da UNESCO,
este ano a capital internacional do Dia Mundial do Livro é Conacri, capital da
Guiné-Conacri.
O Dia Mundial do Livro
e dos Direitos de Autor assinala ainda a morte do autor espanhol Miguel de
Cervantes e do dramaturgo inglês William Shakeaspeare, a 22 e 23 de abril de
1616, respetivamente.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Este mês nas bibliotecas...
Este mês assinalamos a 23 de abril, o Dia Mundial do Livro! Receberemos o escritor Carlos Alberto Silva que dinamizará uma sessão para os alunos do 4º ano, dinamizaremos na ACO uma troca de livros e leituras e partilharemos com os alunos mais crescidos o belíssimo texto de Francisco José Viegas "Da felicidade que vem nos livros".
No dia 25 comemoraremos o Dia da Liberdade, animando alguns espaços da escola com materiais alusivos e dinamizando na ACO um concurso relacionado com o tema.
No dia 26 participaremos com os alunos do 3º ciclo e do ensino secundário na sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura que se realizará em Castro Daire e que visa apurar os representantes do distrito à sessão nacional.
No dia 27 os docentes de Artes realizam o já habitual "Diálogo e encontro com diferentes profissões artísticas" dinamizando no espaço exterior e interior da biblioteca algumas exposições que aconselhamos todos a visitarem. Também na GEA os alunos do 3º E irão expôr os trabalhos que realizaram sobre o "Sistema Solar".
Ainda na GEA, durante a semana, será lida aos alunos do 3º ano a história "As palavras cor-de-rosa e as palavras cinzentas", iniciativa que integra a Semana do Respeito, um projeto do 1º ciclo, e os alunos do 2º ano assistirão à exibição do filme "Princesa Sofia - A Biblioteca Secreta".
Continuam os desafios mensais habituais!
Bom mês, boas leituras!
sexta-feira, 31 de março de 2017
Semana da Leitura - dia 5
Terminámos hoje a Semana da Leitura
recebendo, na ESFA, o Rui Fonte que dinamizou a oficina de escrita criativa “Arquipélago
de Palavras” na turma do 9º B.
Foram 90 minutos deliciosos, a “brincar
com as palavras”, a estimular o lado criativo dos alunos e a demonstrar que
escrever, pode ser uma grande aventura!
Muito, muito obrigada ao Rui Fonte por
esta inesquecível partilha!
Foram vários os Encarregados de Educação
que estiveram também hoje na turma do 10ºB, na aula da docente Fátima Pais,
partilhando leituras com os alunos. Bem-haja a todos que fizeram questão de participar, uma vez mais!
E terminámos assim mais uma Semana da
Leitura. A todos os docentes, alunos, auxiliares de acção educativa, Pais e
Encarregados de Educação e elementos da comunidade que colaboraram nas
atividades, o nosso muito obrigada.
Etiquetas:
Oficina de Escrita,
Rui Fonte,
Semana da Leitura
quinta-feira, 30 de março de 2017
Semana da Leitura - dia 4
Hoje durante a manhã, realizámos na ESFA mais uma exibição
do documentário Amanhã que recomendamos vivamente a todos os docentes. O Dvd pode ser requisitado na biblioteca.
Durante a tarde, um grupo de alunos do 10ºB participou nas
Leituras em Movimento em salas de aula da ESFA e da ACO.
Muito obrigada ao António Rafael, à Juliana, à Francisca e à Mariana e aos docentes que nos receberam: Gracinda Pereira, Helena Completo, Alzira Rocha, Anabela Almeida e Elisabete Cruz.
quarta-feira, 29 de março de 2017
Semana da Leitura - dia 3

Hoje iniciámos o dia da
melhor maneira, recebendo o escritor Domingos Amaral. Formado em economia, e com Mestrado em Relações
Internacionais na Universidade de Columbia em Nova Iorque, iniciou a sua
carreira jornalística n’O Independente, tendo depois sido diretor da revista Maxmen. Como
cronista, escreveu para o Diário de
Notícias, Grande
Reportagem e Diário
Económico. Tem vários romances publicados, dentre os quais destacamos “Enquanto Salazar dormia”, “O retrato da mãe de Hitler”, “Verão quente”, “O fanático do sushi”, “Quando Lisboa tremeu”, “Os Cavaleiros de São
João Batista” e “Assim nasceu Portugal”
uma trilogia cujo último volume será editado em maio.
Hoje,
para além dos romances que escreve, do blogue que “alimenta” quase diariamente,
do programa desportivo na televisão onde é comentador, ainda dá aulas na
Universidade Católica onde lecciona a cadeira de Economia do Desporto.
A
Carolina Vouga fez uma breve apresentação do autor e leu um excerto do livro “Enquanto
Salazar dormia” acompanhada à guitarra pelo Pedro Magalhães. Passou de seguida
a palavra ao autor que começou por explicar como nasceu a paixão que tem pelos
livros desde criança e a forma como a leitura desenvolve diversas competências
a vários níveis. Falou depois do seu percurso enquanto aluno de Economia e do
jornal universitário que o iniciou na escrita, da passagem pelo Independente e de como nasceu o seu 1º
romance. De conversa fácil e bem-humorada, Domingos Amaral falou dos vários romances
que já editou, da forma como nasceram as histórias, do processo de construção das
suas personagens, do modo como trabalha e respondeu às várias questões que a
plateia lhe colocou.
Foi
um encontro bastante interessante e enriquecedor com o escritor, que estimulou
em muitos dos presentes a vontade de conhecer melhor a sua escrita e que deixou
mensagens bastante importantes aos alunos, tais como a valorização da leitura,
a importância do trabalho, do método e da determinação para que se alcancem os
nossos sonhos.
Muito
obrigada a todos os presentes nesta sessão e um grande bem-haja ao Domingos
Amaral que esperamos voltar a ver na nossa escola!
Na parte da tarde tivemos mais uma sessão da atividade "Novas leituras" na "Sala do Futuro", desta vez com os alunos de duas turmas do Jardim de Infância de S. Julião. Muito obrigada também pela vossa presença!
Na parte da tarde tivemos mais uma sessão da atividade "Novas leituras" na "Sala do Futuro", desta vez com os alunos de duas turmas do Jardim de Infância de S. Julião. Muito obrigada também pela vossa presença!
Etiquetas:
Encontro com escritores,
Semana da Leitura
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