quinta-feira, 4 de abril de 2019

"Dar voz às palavras"

Com o auditório repleto de alunos e docentes realizámos hoje, no final da manhã, o já habitual espetáculo de partilha de leituras "Dar voz às palavras". 
Contámos com a presença da Presidente do Conselho Geral, Dra. Cristina Matos e com o senhor Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Mangualde, João Lopes que vieram dar o seu contributo, o que muito agradecemos.

Apresentado pelos alunos do 9A , Maria e Tiago, ao longo da sessão, viajámos através das palavras de diversos autores nos 18 momentos de leitura que os vários alunos e alunas realizaram, a maioria dos quais, com o apoio musical de um grupo de alunos do 9A. Houve ainda tempo para ouvir cantar o Rodrigo e a Maria e para assistir a um pequeno filme realizado por três alunas do 10I. No final foram entregues os prêmios do Concurso Nacional de Leitura - fase de escola.

Agradecemos a todos os professores, alunos e assistentes operacionais que contribuíram para esta festa da leitura. Um agradecimento especial à professora Maria Aguiar, às colegas de Português e aos fantásticos alunos e alunas do 9A!







Encontro com o ilustrador Rui Castro

Recebemos hoje o ilustrador Rui Castro que dinamizou duas excelentes sessões sobre ilustração às quais assistiram alunos da Esfa (10º e 12º anos de Artes) e da GEA (duas turmas do 2º ciclo e um 8º ano). 
Após uma breve resenha sobre a sua vida e a forma como se iniciou nesta arte, o autor partilhou o seu trabalho, explicando muitas das técnicas e dos materiais que utiliza. Terminou a sua apresentação fazendo uma ilustração que ofereceu à escola. 



Muito obrigada ao Rui Castro, à Areal Editores que facilitou este encontro e a todos os docentes e alunos que participaram.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Leituras Inclusivas

"A maior flor do mundo" foi a obra que abordámos na sessão que realizámos hoje na Sala do Futuro com os alunos da Educação Especial.
 Após a leitura da história de José Saramago e a visualização do filme recorremos à ferramenta Plickers para testar o que os alunos e alunas aprenderam sobre a obra.

Obrigada aos alunos e docentes que participaram na atividade!




terça-feira, 2 de abril de 2019

"Contos com Reflexão"


Recebemos hoje na ESFA o Dr Alfredo Leite, psicólogo de formação, que há mais de 15 anos lidera a Mundo Brilhante apoiando professores e educadores. Veio partilhar connosco o seu amor pelos livros e pela leitura dinamizando 5 sessões que, a nosso pedido, se focaram em 3 obras: “Os Lusíadas” para os alunos do 9º ano (3 sessões), “Os Maias”, na sessão realizada para o 11º ano e “O ano da Morte de Ricardo Reis” na sessão direcionada ao 12º ano.

Dotado de um grande poder de comunicação, todas as sessões foram bastante dinâmicas e interativas, conseguindo o nosso convidado prender a atenção dos alunos para, simultaneamente, se focar nos pontos essenciais de cada obra.



Muito obrigada ao Dr. Alfredo Leite, às docentes de Português que se envolveram na iniciativa e a todos os professores e alunos que estiveram presentes!

Leituras na Câmara

Como já é habitual na Semana da Leitura do nosso agrupamento, fomos ontem à reunião da Câmara Municipal oferecer uma leitura! Levámos o Afonso Brás e a Inês Cardoso do 1º ciclo, a Renata Amaro do 9º ano e a Beatriz Lopes do 12º ano, todos eles finalistas da sessão escolar do Concurso Nacional de Leitura. Foi também o Carlos Gonçalves do 9º A que acompanhou algumas das leituras com o seu acordeão.
Agradecemos ao Dr. João Azevedo e a todos os vereadores a disponibilidade com que sempre nos recebem! Muito obrigada!

quinta-feira, 28 de março de 2019

Semana da Leitura - "Todos a ler"

Iniciámos hoje a Semana da Leitura no nosso agrupamento com a atividade "Todos a Ler", propondo a leitura em sala de aula de um texto.
Na ESFA foram estas as nossas escolhas:


Sugestão de leitura para o Ensino Secundário

Aprendiz de Viajante
Um dia li num livro: “Viajar cura a melancolia.”
Creio que, na altura, acreditei no que lia. Estava doente, tinha quinze anos. Não me lembro da doença que me levara à cama, recordo apenas a impressão que me causara, então, o que acabara de ler.
Os anos passaram – como se apagam as estrelas cadentes- e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.
A verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. Atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vasta noite… Avancei sempre, sem destino certo.
Tudo começou a seguir àquela doença.
Era ainda noite fechada. Levantei-me e parti. Fui em direção ao mar. Segui a rebentação das ondas, apanhei conchas, contornei falésias; afastei-me de casa o mais que pude. Vi a manhã erguer-se, branca, e envolver uma ilha; vi crepúsculo e noites sobre o rio, amei a existência.
Dormia onde calhava: no meio das dunas, enroscado no tojo, como um animal; dormia num pinhal ou onde me dessem abrigo, em celeiros, garagens abandonadas, uma cama…
E quando regressei, regressei com a ânsia do eterno viajante dentro de mim.
Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, veem.
O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas.
Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma – estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta – sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.»
Al Berto “O Anjo Mudo



Sugestão de leitura para o 9º ano

Encantamentos
- Para que serve a poesia? Esta é uma daquelas questões que, cedo ou tarde, todos os poetas enfrentam. A resposta mais frequente, mais falha de imaginação e de verdade, assegura que a poesia não serve para nada. Alguns poetas, em especial os portugueses, acrescentam a seguir que também a vida não serve para nada, etc. […]
 Na origem, a poesia era uma disciplina da magia. Servia para encantar. Continua a ser assim, embora, no sentido literal, poucas pessoas ainda exercitem essa antiquíssima arte. Uma tarde, em Benguela conheci uma das derradeiras praticantes. Almoçava com amigos, e amigos de amigos, num desses quintalões antigos, carregados de frutos, e de boa sombra, da cidade das acácias rubras. A determinada altura escutei um sujeito que se referiu a uma tal Dona Aurora:
 - A velha receita poesias.
- Recita - corrigi.  O homem, um oficial do exército, encarou-me, irritado:
- Não senhor! Receita! Dona Aurora receita poesias. Resolve problemas de amor, amarrações, mau-olhado, tudo com versinhos.
Fiquei interessado. Anotei o endereço da curandeira num guardanapo e na manhã seguinte bati-lhe à porta. Dona Aurora morava na Restinga, num casarão, em madeira, muito maltratado. A velha senhora, miúda, muito magra, vestia de cor de rosa. Toda a sua força parecia residir na cabeleira, a qual mantinha uma vigorosa rebeldia juvenil. Convidou-me a entrar. Móveis dos anos 50, muito gastos. Estantes carregadas de livros velhos. Aproximei-me. Poesia, e mais poesia: Florbela, Camões, Vinícius, José Régio, Sophia, Drummond, Manuel Bandeira, tudo misturado, num bem-aventurado desrespeito a fronteiras políticas, estéticas e ideológicas. «O meu marido sempre gostou de poesia», justificou-se: «Eu, menos. Foi só depois de ele morrer, há 30 anos, que descobri o poder dos versos.»
Acontecera um pouco por acaso - contou. Uma tarde deu-se conta de que certos sonetos parnasianos (os mais trabalhosos) a ajudavam a vencer a insónia. Mais tarde, que João Cabral de Melo Neto, a partir de «O cão sem plumas», era muito eficaz no combate à cefaleia. Pouco a pouco foi desenvolvendo um método. Combatia a prisão de ventre lendo alto a Sagrada Esperança. Mantinha o quintal livre de ervas daninhas, percorrendo-o, ao crepúsculo, enquanto soprava devagar «O guardador de rebanhos».
 Numa cidade pequena não tardou que tais excentricidades lhe trouxessem, primeiro inimigos, e depois devotos seguidores e pacientes. Hoje, ela recebe a todos, ricos e pobres, na sala onde me recebeu a mim.
 Ouve as suas queixas, levanta-se, percorre as estantes, e regressa com a solução. «Quem me procura mais são mulheres querendo reconquistar o coração dos maridos. Recomendo que lhes murmurem, enquanto dormem, algum Neruda, às vezes Camões, outras Bocage.»
Dona Aurora não aceita dinheiro pelos serviços prestados. «Não sou eu quem cura», explicou-me, «é a poesia».
    José Eduardo Agualusa (revista Ler nº 113, maio 212)



terça-feira, 26 de março de 2019