terça-feira, 23 de abril de 2019

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor


Os livros abrem uma janela em nossas vidas interiores, e também o caminho para o respeito e a compreensão mútua entre as pessoas, independentemente das fronteiras e das diferenças.
Nesta época turbulenta, os livros representam a diversidade da genialidade humana, dão forma à riqueza de nossas experiências, transmitem a busca pelo significado e pela expressão que todos nós compartilhamos, e que fazem avançar as sociedades.
Os livros ajudam a unir a humanidade em uma só família, compartilhando um passado, uma história e um património, a fim de construir um destino comum, onde todas as vozes são ouvidas em um grande coro de aspiração humana. Eles são nossos aliados na difusão da educação, das ciências, da cultura e da informação para todas as partes do mundo.
Os livros também são uma forma de expressão cultural que ganha vida e faz parte de uma língua específica. Cada publicação é criada em uma língua distinta e é dedicada a um público de leitor daquela língua. Assim, cada livro é escrito, produzido, trocado, utilizado e apreciado em um dado contexto linguístico e cultural. Este ano, destacamos este aspecto importante porque 2019 marca o Ano Internacional das Línguas Indígenas, que é liderado pela UNESCO para reafirmar o compromisso da comunidade internacional em apoiar os povos indígenas na preservação de suas culturas, conhecimento e direitos.
Este Dia oferece uma oportunidade para refletirmos juntos sobre as formas para melhor disseminar a cultura da palavra escrita e permitir seu acesso a todos os indivíduos, homens, mulheres e crianças.
Esse é o mesmo espírito de inclusão e de diálogo que norteia a cidade de Sharjah (Emirados Árabes Unidos), Capital Mundial do Livro de 2019. Esta designação entra em vigor neste Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais de 2019. Sharjah foi selecionada pelo reconhecimento de seu programa “Leia, você está em Sharjah”, que pretende atingir os grupos marginalizados ao oferecer propostas criativas para encorajar a participação das populações migrantes e favorecer a inclusão social, a criatividade e o respeito. 
Nos unimos a Sharjah, a nossos parceiros, à Associação Internacional de Editores, à Federação Internacional de Livrarias e à Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Bibliotecas, bem como a toda comunidade internacional,  para celebrar os livros, considerando-os como a representação da criatividade, assim como o desejo de compartilhar ideias e conhecimento, de modo a inspirar a compreensão, o diálogo e a tolerância. Esta é a mensagem da UNESCO neste Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais. 

Audrey Azoulay - Diretora Geral da Unesco

quinta-feira, 4 de abril de 2019

"Dar voz às palavras"

Com o auditório repleto de alunos e docentes realizámos hoje, no final da manhã, o já habitual espetáculo de partilha de leituras "Dar voz às palavras". 
Contámos com a presença da Presidente do Conselho Geral, Dra. Cristina Matos e com o senhor Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Mangualde, João Lopes que vieram dar o seu contributo, o que muito agradecemos.

Apresentado pelos alunos do 9A , Maria e Tiago, ao longo da sessão, viajámos através das palavras de diversos autores nos 18 momentos de leitura que os vários alunos e alunas realizaram, a maioria dos quais, com o apoio musical de um grupo de alunos do 9A. Houve ainda tempo para ouvir cantar o Rodrigo e a Maria e para assistir a um pequeno filme realizado por três alunas do 10I. No final foram entregues os prêmios do Concurso Nacional de Leitura - fase de escola.

Agradecemos a todos os professores, alunos e assistentes operacionais que contribuíram para esta festa da leitura. Um agradecimento especial à professora Maria Aguiar, às colegas de Português e aos fantásticos alunos e alunas do 9A!







Encontro com o ilustrador Rui Castro

Recebemos hoje o ilustrador Rui Castro que dinamizou duas excelentes sessões sobre ilustração às quais assistiram alunos da Esfa (10º e 12º anos de Artes) e da GEA (duas turmas do 2º ciclo e um 8º ano). 
Após uma breve resenha sobre a sua vida e a forma como se iniciou nesta arte, o autor partilhou o seu trabalho, explicando muitas das técnicas e dos materiais que utiliza. Terminou a sua apresentação fazendo uma ilustração que ofereceu à escola. 



Muito obrigada ao Rui Castro, à Areal Editores que facilitou este encontro e a todos os docentes e alunos que participaram.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Leituras Inclusivas

"A maior flor do mundo" foi a obra que abordámos na sessão que realizámos hoje na Sala do Futuro com os alunos da Educação Especial.
 Após a leitura da história de José Saramago e a visualização do filme recorremos à ferramenta Plickers para testar o que os alunos e alunas aprenderam sobre a obra.

Obrigada aos alunos e docentes que participaram na atividade!




terça-feira, 2 de abril de 2019

"Contos com Reflexão"


Recebemos hoje na ESFA o Dr Alfredo Leite, psicólogo de formação, que há mais de 15 anos lidera a Mundo Brilhante apoiando professores e educadores. Veio partilhar connosco o seu amor pelos livros e pela leitura dinamizando 5 sessões que, a nosso pedido, se focaram em 3 obras: “Os Lusíadas” para os alunos do 9º ano (3 sessões), “Os Maias”, na sessão realizada para o 11º ano e “O ano da Morte de Ricardo Reis” na sessão direcionada ao 12º ano.

Dotado de um grande poder de comunicação, todas as sessões foram bastante dinâmicas e interativas, conseguindo o nosso convidado prender a atenção dos alunos para, simultaneamente, se focar nos pontos essenciais de cada obra.



Muito obrigada ao Dr. Alfredo Leite, às docentes de Português que se envolveram na iniciativa e a todos os professores e alunos que estiveram presentes!

Leituras na Câmara

Como já é habitual na Semana da Leitura do nosso agrupamento, fomos ontem à reunião da Câmara Municipal oferecer uma leitura! Levámos o Afonso Brás e a Inês Cardoso do 1º ciclo, a Renata Amaro do 9º ano e a Beatriz Lopes do 12º ano, todos eles finalistas da sessão escolar do Concurso Nacional de Leitura. Foi também o Carlos Gonçalves do 9º A que acompanhou algumas das leituras com o seu acordeão.
Agradecemos ao Dr. João Azevedo e a todos os vereadores a disponibilidade com que sempre nos recebem! Muito obrigada!

quinta-feira, 28 de março de 2019

Semana da Leitura - "Todos a ler"

Iniciámos hoje a Semana da Leitura no nosso agrupamento com a atividade "Todos a Ler", propondo a leitura em sala de aula de um texto.
Na ESFA foram estas as nossas escolhas:


Sugestão de leitura para o Ensino Secundário

Aprendiz de Viajante
Um dia li num livro: “Viajar cura a melancolia.”
Creio que, na altura, acreditei no que lia. Estava doente, tinha quinze anos. Não me lembro da doença que me levara à cama, recordo apenas a impressão que me causara, então, o que acabara de ler.
Os anos passaram – como se apagam as estrelas cadentes- e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.
A verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. Atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vasta noite… Avancei sempre, sem destino certo.
Tudo começou a seguir àquela doença.
Era ainda noite fechada. Levantei-me e parti. Fui em direção ao mar. Segui a rebentação das ondas, apanhei conchas, contornei falésias; afastei-me de casa o mais que pude. Vi a manhã erguer-se, branca, e envolver uma ilha; vi crepúsculo e noites sobre o rio, amei a existência.
Dormia onde calhava: no meio das dunas, enroscado no tojo, como um animal; dormia num pinhal ou onde me dessem abrigo, em celeiros, garagens abandonadas, uma cama…
E quando regressei, regressei com a ânsia do eterno viajante dentro de mim.
Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que os outros viajantes, ao passarem pelos mesmos lugares, veem.
O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura melancolia, pelo menos purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas.
Aprendeu a nomear o mundo.
Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma – estagna o pensamento.
Por tudo isto, o viajante escolheu o lado nómada da linha de água. Vive ali, e canta – sabendo que a vida não terá sido um abismo, se conseguir que o seu canto, ou estilhaços dele, o una de novo ao Universo.»
Al Berto “O Anjo Mudo



Sugestão de leitura para o 9º ano

Encantamentos
- Para que serve a poesia? Esta é uma daquelas questões que, cedo ou tarde, todos os poetas enfrentam. A resposta mais frequente, mais falha de imaginação e de verdade, assegura que a poesia não serve para nada. Alguns poetas, em especial os portugueses, acrescentam a seguir que também a vida não serve para nada, etc. […]
 Na origem, a poesia era uma disciplina da magia. Servia para encantar. Continua a ser assim, embora, no sentido literal, poucas pessoas ainda exercitem essa antiquíssima arte. Uma tarde, em Benguela conheci uma das derradeiras praticantes. Almoçava com amigos, e amigos de amigos, num desses quintalões antigos, carregados de frutos, e de boa sombra, da cidade das acácias rubras. A determinada altura escutei um sujeito que se referiu a uma tal Dona Aurora:
 - A velha receita poesias.
- Recita - corrigi.  O homem, um oficial do exército, encarou-me, irritado:
- Não senhor! Receita! Dona Aurora receita poesias. Resolve problemas de amor, amarrações, mau-olhado, tudo com versinhos.
Fiquei interessado. Anotei o endereço da curandeira num guardanapo e na manhã seguinte bati-lhe à porta. Dona Aurora morava na Restinga, num casarão, em madeira, muito maltratado. A velha senhora, miúda, muito magra, vestia de cor de rosa. Toda a sua força parecia residir na cabeleira, a qual mantinha uma vigorosa rebeldia juvenil. Convidou-me a entrar. Móveis dos anos 50, muito gastos. Estantes carregadas de livros velhos. Aproximei-me. Poesia, e mais poesia: Florbela, Camões, Vinícius, José Régio, Sophia, Drummond, Manuel Bandeira, tudo misturado, num bem-aventurado desrespeito a fronteiras políticas, estéticas e ideológicas. «O meu marido sempre gostou de poesia», justificou-se: «Eu, menos. Foi só depois de ele morrer, há 30 anos, que descobri o poder dos versos.»
Acontecera um pouco por acaso - contou. Uma tarde deu-se conta de que certos sonetos parnasianos (os mais trabalhosos) a ajudavam a vencer a insónia. Mais tarde, que João Cabral de Melo Neto, a partir de «O cão sem plumas», era muito eficaz no combate à cefaleia. Pouco a pouco foi desenvolvendo um método. Combatia a prisão de ventre lendo alto a Sagrada Esperança. Mantinha o quintal livre de ervas daninhas, percorrendo-o, ao crepúsculo, enquanto soprava devagar «O guardador de rebanhos».
 Numa cidade pequena não tardou que tais excentricidades lhe trouxessem, primeiro inimigos, e depois devotos seguidores e pacientes. Hoje, ela recebe a todos, ricos e pobres, na sala onde me recebeu a mim.
 Ouve as suas queixas, levanta-se, percorre as estantes, e regressa com a solução. «Quem me procura mais são mulheres querendo reconquistar o coração dos maridos. Recomendo que lhes murmurem, enquanto dormem, algum Neruda, às vezes Camões, outras Bocage.»
Dona Aurora não aceita dinheiro pelos serviços prestados. «Não sou eu quem cura», explicou-me, «é a poesia».
    José Eduardo Agualusa (revista Ler nº 113, maio 212)