sexta-feira, 12 de maio de 2017

"Assemblages" - trabalhos do 12ºC

Encontra-se na biblioteca uma exposição de trabalhos dos alunos do 12º ano do Curso de Artes Visuais, realizados sob a coordenação da Professora Anabela Pascoal!
Não deixe de ver!



domingo, 7 de maio de 2017

Tenho de ir mãe… Tenho de ir…

Tenho de ir mãe, tenho de ir… preparei-te para este momento, avisei-te vezes sem conta, disse quando, disse como, fechei a porta e saí. Nunca acreditaste que o fizesse, nunca acreditaste que esse dia chegaria, dentro de ti existiu sempre uma réstia de esperança que seria sempre o teu menino, que seria sempre o teu companheiro, que ficaria “preso” no teu porto seguro.
Tenho de ir mãe, tenho de ir… o silêncio consome-te e é apenas quebrado pelas telenovelas e “Portugais em Festa”, olhas para o telemóvel na esperança que toque e cada dia que passa recorda-te o que tiveste e agora não tens… Vagueias pela casa fixando o teu olhar em recordações silenciosas de um passado que devia ser presente, mas está ausente…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… preciso de queimar o jantar, dobrar mal a roupa, limpar a casa de banho e apreciar a ausência de cotão pelo chão. Preciso de pagar as contas, de usar as calças e sair das saias, preciso ser homem e deixar o menino…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… olharei para casa como a minha casa, olharei para o quarto como o meu quarto, olharei para a almofada como a minha almofada, olharei e lembrarei o que sonhei, pensei, imaginei e que agora é mãe, agora é….
Tenho de ir mãe, tenho de ir… voltarei diferente, mais seguro, mais forte, mais marido, mais pai. Serei outro e serei o mesmo… Terei rugas, cabelos brancos, terei 30, 40, 50, mas para ti serei sempre aquele magricela de acne salpicado, que te perguntava se a roupa ficava bem e te dizia que não vinha tarde…
Tenho de ir mãe, tenho de ir… recorda o passado, vive o presente e abraça o futuro, ensina-me uma última vez mãe, ensina-me… ensina-me a deixá-la ir, ensina-me… pois um dia também eu tenho de a ver partir, também eu tenho de a ver bater a porta e senti-la fugir…
Tenho de ir mãe, tenho de ir…
Preciso de ir mãe, preciso de ir…
Deixa-me ir mãe… deixa-me ir…
Dedicado a todas as mães que nos deixaram ir…
Alexandre Henriques

A Mãe na Pintura


Uma seleção de pinturas de vários artistas dedicada à figura materna. Uma recolha da biblioteca que pode ser vista aqui!

Dia da Mãe

Pequeno Poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama, in 'Antologia Poética' 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Este mês nas bibliotecas...



Neste mês de Maio há três datas importantes  a assinalar: O Dia da Mãe, que se comemora a 7, o Dia da Europa (dia 9) e o Dia do Autor Português (a 22). Para todas elas as bibliotecas escolares planearam atividades destinadas a comemorar estas efemérides - "Horas do Conto" alusivas, exposições de materiais, oficinas e alguns concursos marcarão estes dias.
Entre os dias 2 e 8 os alunos do 4º ano assistirão à Hora do Conto "O beijo da Palavrinha" com o Kamishibai. No dia 9, na GEA realiza-se o Concurso de Spelling destinado ao 1º ciclo e no dia 10 haverá mais uma edição do "Hat Parade", este ano complementado com sessões de sensibilização de prevenção do cancro da pele. 
Na ESFA é possível ver a exposição "Assemblages" realizada pelo 12ºC (Curso de Artes Visuais) sob coordenação da docente Anabela Pascoal.
No dia 25 na Edufor Innovative Classroom decorrerão sessões sobre "Leituras e Tecnologias Inclusivas" destinadas aos alunos da GEA e da ACO.
Como já é habitual mantêm-se os desafios mensais.
Bom mês... boas leituras!






quarta-feira, 26 de abril de 2017

CNL - sessão distrital



Decorreu hoje em Castro Daire a sessão distrital do Concurso Nacional de Leitura. O nosso agrupamento esteve representado, no ensino básico, pela Beatriz Gomes, pela Margarida Santos e pelo Rodrigo Alves e no ensino secundário pela aluna Beatriz Lopes.
Na parte da manhã os alunos realizaram a prova escrita e, após o almoço, teve lugar a realização da prova oral, numa sessão muito bem-disposta conduzida pelo contador de histórias, Jorge Serafim.
Apesar de nenhum dos alunos ser apurado para a fase nacional, foi um dia bastante enriquecedor e que decerto aguçou o apetite dos jovens presentes para continuarem a participar nesta iniciativa.

terça-feira, 25 de abril de 2017

O dia das espingardas de flor na boca

Ilustração de Leonor Zamith
Temos uma vida de rotinas — de gestos e hábitos que marcam o nosso território, como um véu que vai caindo sobre nós e filtra a luz com que vemos.

Mas há pelo menos uma, duas, três vezes na vida — mais se procurarmos —, em que algo acontece: um rasgão no véu da rotina, que deixa entrar o caos, a luz, os fantasmas, as fadas, os anjos e os demónios. É só por um instante — uma aventura, por assim dizer — que depressa acaba, e nos deixa sós, a passar o resto da vida a tentar entender esse instante, a explicá-lo aos outros, a sonhar com ele ou a tentar repeti-lo.

Os celtas chamavam-lhe Samhain ou Beltane — a noite em que as fadas tomavam conta da terra para a encher de caos e encantamento. E Platão falava da divina loucura, inspirada umas vezes por Apolo, na forma de visões sábias, por Dionísio, como loucura dos sentidos, por Ares, através da violência descontrolada, e por Afrodite, na paixão amorosa. E cada uma destas loucuras podia — e isso tornava-a única — mudar o curso do mundo.

Ninguém sabe o que aconteceu no 25 de Abril ou porquê. Vendo as reportagens, os estudos, os testemunhos, multiplicam-se as teorias, as opiniões e a confusão. Mas algo aconteceu; algo com que ninguém sabia lidar, e cada um tentou resolver o melhor que pôde: o soldado que parou o tanque no sinal vermelho, a caminho da revolução, o capitão que prendeu a autoridade máxima do país, mas cumprindo o protocolo militar.

O 25 de Abril foi o Samhain e o Beltane português do século XX. Num país condenado a viver habitualmente, o amanhecer de Abril foi o dia mais sensual, descontrolado e eufórico das últimas gerações.

E no meio desse êxtase há uma paixão que ainda transborda das imagens que ficaram: o desejo. O desejo dos corpos unidos em multidões eufóricas, de grupos a colarem pele, suor e calor no cimo de tanques e de árvores, de homens e mulheres a abraçaram-se e a elevarem em conjunto os braços ao céu, roçando braços, peitos, cabelos e bocas. E o desejo é, sempre, a resposta ao medo. E esse desejo, no 25 de Abril, tornou-se uma espingarda a ser penetrada por uma flor.

Nos livros, as revoluções fazem-se por abstracções como a liberdade, a igualdade, a independência ou a economia. Nas ruas e praças, as revoluções fazem-se pelo pão, pelo trabalho, pelo desejo, pela vida, pelos outros, ou apenas pela alegria.

Jorge Palinhos
jornal Público 24.04.2014